sexta-feira, 8 de abril de 2011

A MANGA E A VIDA.

Não lembro quem tuítou, mas era mais ou menos assim: “O sujeito vai lá e cria um monte de fiapos numa fruta deliciosa como a manga. E tem gente que acha Ele o máximo”. Achei curioso. Tanto é que virou post.

Mas e se manga não tivesse fiapos? E se melancia não tivesse caroços? E se as frutas já viessem maduras?
E se não fosse necessário esperar? E se não houvesse filas? Nem demora? Nem derrota?

E se não existissem tantas coisas aparentemente desnecessárias? E se, simplesmente, a vida fosse fácil?
E se ela, a vida, viesse desembrulhada, fatiada, assada e pronta para ser degustada?
Será que teria graça? E faria sentido?

O que seria dos desafios? E as aventuras? Em quê daríamos valor?
Arriscaríamos para chegar onde? Para ganhar o quê? Hein?
Os fiapos servem para dar mais valor a manga. As filas, para nos ensinar que com calma também chegamos lá. E que quem chega por último, ri por último. E nem sempre ri melhor.

As derrotas e os imprevistos acontecem para nos deixar alertas e cientes de que antes do apito o jogo nunca está ganho. Nem perdido. E, se perdermos, sempre teremos outra oportunidade. E de virada, claro, é muito mais gostoso.

E a vida nunca será fácil. Não se ganha sem entrar em campo. Sem suar a camisa. Não se vive se não houver dedicação, esperança e a certeza de que, por mais difícil que seja, basta vivermos da melhor maneira possível. O resto a gente vai arrancando devagarzinho. Porque vale a pena.

Igual aos fiapos da manga.




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CONFIDENCIAL.

Recebi o depoimento a seguir. E virou post. Merecidamente

“Olá, Misael.
Hoje participo de mais uma formatura nessa minha caminhada na EDUCAÇÂO. Sinto que dou passos mais trôpegos e, para continuar, lembro dos meus alunos especiais que quanto mais sabiam, mais queriam saber.

VOCÊ é inesquecível: aquele menino (quinta série) tímido, um sorriso lindo, perspicaz e com objetivos tornou-se um homem FELIZ!

Agradeço-lhe muito pelos passos que demos juntos na minha caminhada. O percurso foi pequeno, a qualidade foi enorme!”
(Ieda Oliveira Ribeiro, 16 de dezembro de 2010)

O percurso foi pequeno. A qualidade foi enorme.
Eu era apenas um menino da quinta série do ensino fundamental. Tímido, mas bastante curioso. Simples, mas que já sonhava em ir bem longe. E que adorava as segundas-feiras.
Era nas segundas-feiras que eu tinha duas aulas de história. E as aulas da professora Ieda, além de ótimas, tinham algo que nenhuma outra tinha. Que nenhuma outra teve.

Toda semana ela me levava dois ou três livros de sua biblioteca particular. Ah! Quanta saudade! Eu não via a hora de chegar em casa e me aventurar pelas tramas da Agatha Christie. Ou me deliciar nos paraísos criados pelo Sidney Sheldon. Isso sem falar nos sempre bem escritos suspenses do Georges Simenon, do Edgar Wallace e de tantos outros que ela fez questão de me apresentar.

O tempo passava rápido demais e as páginas, por mais que fossem, pareciam poucas. Podiam ser mais! Podia ser diferente aqui e ali... E quando eu via, já estava criando. Escrevendo minha própria versão não autorizada. Mudando o fim, arrumando o começo. Fazendo a história do meu jeito.

E logo já era segunda de novo. Era hora de trocar os livros. Tinham novos romances me esperando, novas aventuras prontas para eu embarcar. E a vida era tão boa. E tudo era tão simples. Bastava jogar a mochila na cama, tirar o tênis e pronto! Tudo era perfeito. E acabava sempre bem.

Mas os tempos, minha querida professora, passaram. Eu cresci. E tudo virou de verdade. As responsabilidades vieram aos montes. A vida bateu na minha cara, colocou-me de pé e, sem me mostrar o caminho, me fez seguir em frente. Ah! E eu não sou mais tão tímido, mas continuo com muita vergonha. Vergonha alheia desse mundão que só piora.
E as segundas-feiras, professora, não são mais as mesmas. Agora eu vou para outra escola. Onde não tem reforço. Onde não tem ajuda. Onde não tem gente como a senhora para me dar a mão.

É tão difícil. E tão arriscado. Mas eu não tenho medo. Carrego comigo a criatividade que você me proporcionou aprender, a classe que você sempre teve e o seu jeito educado que sempre admirei. E isso tem feito a diferença. Tenho alcançado coisas que jamais imaginei. E meu sonho de ir bem longe está cada vez mais próximo. Até parece uma daquelas histórias.

Apesar da saudade, não quero voltar. Mais do que nunca eu quero é seguir em frente, vencer ainda mais e provar que você fez a diferença.
Obrigado, professora! Obrigado por me ensinar tantas histórias e por me ajudar a construir a minha.

Eu sempre vou te dever essa.



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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

FILOSOFIA DE BOTEQUIM #02.

Não há dúvida. Já foi comprovado por acontecimentos e acidentes. Todos já testaram, por bem ou por mal. Não há nem o que discutir. Já vem carimbado, rotulado e escrito bem grande: A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS.

Para os insistentes, ignorantes e simpatizantes é bom que fique claro: não tem volta, é assim e ponto. Não podemos mudar. Aliás, esse é um dos pontos que ninguém tem outra opção. É um dos pontos que não há escolha. O outro é a morte. Simples, né não?

Esperto que sou, fui logo fazendo as minhas. Confesso que errei várias vezes, mas me orgulho de ter acertado em muitas outras.
Num mundo em que as pessoas não se importam com o próximo, eu acertei em escolher fazer o bem e em não negar, nunca, ajuda. Quando eu precisei, a vida tratou de providenciar pessoas com as mesmas intenções.

Escolhi não me entregar ao óbvio, não aceitar o pronto e duvidar da teoria. Ousei. Dei a cara a tapas. E no fim, não mudei o mundo. Nem a minha rua. Mas fiz a diferença. E isso me abriu portas.

Quando fiquei doente, não me fiz de vítima. Não fiz da doença, mesmo que incurável, uma limitação, uma desculpa. Escolhi fazer dela uma alavanca. Escolhi fazer dela o motivo real de viver plenamente. Escolhi deixar o futuro pra depois e viver cada dia da melhor maneira possível. E essa escolha tem sido a minha cura.

Lidei com pessoas infelizes e pessimistas. Mas escolhi não ser igual a elas. Não as mudei, mas não deixei que me mudassem. E isso já é uma enorme conquista.
Escolhi as boas companhias. E foi assim que eu aprendi muito. Foi daí que tirei muitos exemplos que tento seguir.

Errei ao falar o certo na hora errada. Ao pensar, algumas vezes, em desistir. Errei, também, quando não dei ouvidos ao meu médico. Isso me rendeu uma baita gastrite.

Gastei muito dinheiro com escolhas desnecessárias. Mas só assim pude descobrir quais escolhas são, de fato, necessárias.

Errei. Aprendi. Perdi. Ganhei. Vivi. E sei que ainda me resta muito chão pela frente. Mas a vida me ensinou que não existem 10 maneiras para ser feliz, nem sete hábitos para alcançar o sucesso. Não existem regras nem segredo para ficar rico. Não existe manual para viver.

Existem apenas escolhas.

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sábado, 1 de janeiro de 2011

MICROCONTOS #09.

Cena da família reunida almoçando.
Eu entro correndo e grito: Feliz ano novo!
Todos comemoram. Felizes e esperançosos.

Corta. Entra packshot.

sábado, 13 de novembro de 2010

MICROCONTOS #08.

Respiro.
Transpiro.
Me inspiro.
E faço poesia.

Mas nem sempre rimo.
MICROCONTOS #07.

O que não mata ensina a viver.
Basta manter a fé, a cabeça erguida
e a vontade de vencer.